Blogue coletivo dos principais especialistas do livro em Portugal - o think tank do livro
11/20/2013
Torres de Leitura
Há muito que as escolas se tornaram elementos fundamentais na promoção da leitura nas mais diversas vertentes. E são já muitas as escolas que fazem convite a autores para participarem em «conversas» e «leituras» das suas obras, que organizam feiras do livro e outras atividades que promovem a compra e leitura de livros, mas desta vez, em Torres Vedras, vemos uma iniciativa que dá uma passo mais ambicioso e promove um evento de uma semana em torno da leitura.
As Torres de Leitura irão realizar-se de 25 a 30 de Novembro na Escola Secundária Henriques Nogueira, em Torres Vedras. Durante uma semana a escola e comunidade local vão viver em torno dos livros, dos seus autores e de todas as leituras que eles nos ensinam a fazer. Apresentações, conversas, teatro, e a presença de gente da escrita, da banda desenhada, das artes plásticas, do graffiti, do desporto e do cinema, e onde haverá também exposições e muita, muita animação.
Esta é uma iniciativa de João Morales e da Livrododia, e do Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira.
11/15/2013
Congresso Internacional Surrealismo(s) em Portugal
Quadro de Artur do Cruzeiro Seixas
De 18 a 22 de Novembro de 2013, na Fundação Calouste Gulbenkian, na Casa da Liberdade - Mário Cesariny e o Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, irá decorrer o Congresso Internacional Surrealismo(s) em Portugal.
O Congresso tem lugar aquando dos nos 60 anos da morte de António Maria Lisboa, e conta com a participação dos principais estudiosos do Surrealismo português e alguns dos principais poetas e artistas portugueses.
O evento contará também com uma homenagem a Artur do Cruzeiro Seixas e conta com a presença do autor.
A inscrição é de 20 euros - mas tem acesso facilitado ao público no caso de haver lugares - e poderá ser feito através do email: congresso.surrealismo@outlook.com
11/14/2013
DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO
Sérgio Letria, diretor da Fundação José Saramago, a apresentar o parceria aquando do Encontro Livreiro, na Culsete, em Setúbal
No próximo dia 30 de Novembro vai-se festejar o Dia da Livraria e do Livreiro.
Depois de, no ano passado, ter sido assinalada a primeira edição do Dia das Livrarias, inspirada por ventos vindos do país vizinho e assinalando o aniversário da morte de Fernando Pessoa e de Fernando Assis Pacheco, a Fundação José Saramago e o movimento Encontro-Livreiro estabeleceram uma parceria que passará a assumir a organização e a dinamização do a partir de agora designado Dia da Livraria e do Livreiro, tornando-o mais abrangente e destacando sobretudo o lugar central que o livreiro ocupa no percurso do livro e na promoção da leitura.
O Dia da Livraria e do Livreiro é um dia de Festa! Festa da livraria! Festa do livreiro! Festa do leitor!
O leitor é o convidado de honra e quem verdadeiramente justifica a livraria e o livreiro e garante, não só o futuro do livro e das gentes do livro, mas também o progresso, esclarecido e em liberdade, do(s) país(es).
O Encontro-Livreiro e a Fundação José Saramago fazem o apelo a que todas as livrarias, que queiram fazer deste dia o seu dia de festa, comecem, desde já, a preparar uma iniciativa especial para assinalar a data.
Apelam também a todos os leitores que, nas suas agendas, assinalem o dia 30 de Novembro como um dia de visita a, pelo menos, uma livraria, associando-se à festa do(s) seu(s) livreiro(s).
11/06/2013
Plataformas de submissão de originais – o LitFactor
Aquilo que um candidato a autor publicado mais receia é que o seu original seja ignorado entre os outros que todos os dias inundam editoras e agentes literários. A coisa que os agentes literários e as editoras mais detestam é receber originais que não têm nada que ver com a sua linha editorial. Surge então a pertinência de uma nova plataforma digital que pretende facilitar todo este processo de conectar autores com os agentes certos – o litFactor.
A ideia é interessante e o sistema parece simples: basta o autor registar-se e começar a procurar. Se não tiver qualquer conhecimento sobre agências, pode procurar por tema, como por exemplo ficção, não-ficção, fantasia, infantil. Surge então uma lista de todas as agências que trabalham com livros de determinado género e que estão a aceitar submissões. Depois basta adicionar as agências aos seus favoritos, consultar os requisitos para envio de originais, fazer o upload da carta de apresentação e dos primeiros capítulos da obra ou a obra inteira, enviar e aguardar. Qualquer comunicação é sempre feita através do alerta de mensagens do perfil do escritor que tem possibilidade de partilhar a sua experiência com uma comunidade e de consultar uma página com recursos para escritores.
Existe um top de agentes e daqueles que estão mais ativos, ou seja, que dão mais respostas, suponho eu. Segundo uma sondagem feita no sítio, a média de tempo de espera por uma resposta tem sido de um a três meses, mas há quem seja mais célere e responda numa questão de semanas, porém o mais provável é ter de aguardar mais do que três meses. Creio que para autores que não sejam de língua inglesa, nomeadamente de língua portuguesa, as opções ainda são muito limitadas, se não inexistentes. Por curiosidade, experimentei procurar pela agência portuguesa Bookoffice e não encontrei. Se por outro lado se aventurar a escrever em inglês, pode ser um bom veículo para tentar a internacionalização.
O melhor do avanço da internet é o facto de se criarem estas plataformas, cujo objetivo é pôr alguma ordem no caos e simplificar o acesso a coisas que antes eram inacessíveis. Todavia, pode ser contraproducente, caso a gestão de processos e de expectativas não seja bem feita. Ao mesmo tempo, transforma este tipo de contactos numa espécie de linha de produção fabril, quando se tratam de obras literárias e de escritores, enfim de produção cultural. Será interessante, pois, acompanhar a evolução deste e de outros sítios do género e o impacto que terão no marcado editorial a médio e longo prazo.
Catarina Araújo
10/30/2013
O Teatro do Leitor
Stairs, por Rein Jansma, in Biblioklept
A ausência de uma sequência narrativa nos moldes em que a concebemos para o texto narrativo, com coordenadas espácio-temporais mais aturadas, e de onde emerge a figura mediadora do narrador, distingue o texto de teatro. Neste tipo de texto, as personagens falam, as localizações são anotadas e as indicações cénicas sinalizam a dimensão espectacular. Trata-se de uma história, mas também de uma forma específica de escrita que convida o leitor, desde o início, a sobrepor-lhe um código de representação que não é, sobretudo, textual, antes teatral e cénico. O texto é, assim, instrumento que insufla novas vidas ao palco. A actualização desse outro código induz o leitor, espécie de encenador em primeiríssima mão, a transpor o que está a ler para a dimensão do palco, ainda que, neste primeiro fulgor, imaginado (Pinto, 2009).
É pela imaginação, e não pelas considerações, opiniões, juízos de um narrador, que as falas das personagens se combinam entre si, e com outras acções, resultando na contracena que transforma a condição dos corpos; ao imaginar, o leitor também consegue encarnar, outra vez em primeira mão, cada conjunto de falas que, na sua integralidade, se equivale a uma voz identitária, que mesmo na página plana demarca um percurso pela cena; o cenário envolve a intriga, avivando-se a cada momento decisivo da acção, num grau superior ao que muitas vezes acontece no teatro contemporâneo, onde, frequentemente, o elenco, ou seja, o conjunto de todas as personagens, subalterniza a informação de cariz espácio-temporal, atendendo à limitada capacidade de processamento do espectador. Pela página, embora o leitor também não esteja isento de restrições de processamento (Stanovich, 2000), personagens e informação espácio-temporal nivelam-se mais, em face do esforço convergente da imaginação interpretativa.
Como é que estas particularidades do texto de teatro se podem e devem relacionar, no âmbito da escola, com a competência interpretativa dos alunos é matéria que deve ser objecto de cogitação, pelo que acrescenta à educação e à leitura. A seguir à correspondência grafema/fonema, o que de mais fundamental encerra o acto de ler é a competência de fazer corresponder um novo conjunto de sentidos a um objecto de decifração e análise, transformando-o. A maneira como o aluno se exprime acerca de um texto origina o seu duplo, com o qual estabelece relação privilegiada (Iser, 2000).
O texto de teatro, em contraste com o narrativo, apenas sugere uma história, delineia personagens, anota tempo e espaço e exige em troca a proposta de uma intriga cénica exequível. É neste hiato entre o que o texto dá e o que exige do leitor que a imaginação, seleccionando e verificando pistas de sentido, tal qual detective ensimesmado, consegue assegurar um contínuo de processamento de informação que culmina na emergência de uma interpretação. A tríade “texto, imaginação, interpretação” é fundamental para o sustento anímico do leitor, e do aluno, um leitor em treino regular. Lendo textos de teatro, o aluno desenvolve por via mais directa a destreza mental necessária para se assumir como intérprete, um «solista» que, comunicando-se aos outros, desvenda os meandros do conflito para dizer algo de novo.
Isabel Pinto
Referências bibliográficas
ISER, Wolfgang, The Range of Interpretation, New York, Columbia University Press, 2000.
PINTO, Isabel, Leitura do Texto de Teatro: Teoria, Prática e Análise, Dissertação de Doutoramento na área de Estudos Artísticos, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2009.
STANOVICH, Keith E., Progress in Understanding Reading: Scientific Foundations and New Frontiers, New York, The Guilford Press, 2000.
10/27/2013
iResponsabilidade
Imagem publicada em 'De Rerum Natura' (6/2010)
Vai longe o tempo em que jornais e revistas de referência publicavam suplementos sobre livros e leitura. Nos dias de hoje, para além do desaparecimento desses valiosos suplementos, vamos até assistindo à redução do espaço dedicado à crítica literária e à divulgação de obras de interesse relevante, como também à notícia e informação sobre os eventos que ocorrem com cada vez maior frequência no mundo da edição. Tudo concorrendo para um cada vez mais insignificante fomento dos hábitos de leitura por parte de um sector, a imprensa, que tanta responsabilidade tem e tanto tem a beneficiar com o alargamento do número de leitores e a quantidade de livros que são lidos.
Retire-se o espaço «concedido» aquando da realização das Feiras do Livro, aquele que é utilizado quando estala alguma polémica mais ou menos estéril, e aquele outro que é dedicado à edição de livros assinados por figuras mediáticas, e pouco resta na atenção que os periódicos generalistas atribuem ao livro. Com uma excepção: a utilização que dele fazem para ofertas ou vendas a preços marginais de obras produzidas especifica e unicamente para promover as vendas dos respectivos jornais ou revistas, com consequências devastadoras na falsa noção do seu real valor económico e cultural.
Bem pelo contrário, está na moda, é «para a frente», dedicar páginas e páginas aos novos meios de comunicação, ao digital, à internet, e aos gadgets electrónicos; mesmo que se escreva sobre o que apenas se conhece superficialmente e se especule relativamente ao que ainda não passa de algo que só existe no plano do imaginário, ou até sobre o que não vai para além de escolhas pessoais sem interesse público nem fundamentação técnica apropriada.
Não ponho de forma alguma em causa o progresso civilizacional que o digital veio proporcionar, nomeadamente no que respeita à democratização do acesso ao conhecimento e, por essa via, ao desenvolvimento sociocultural dos povos. O que critico e considero verdadeiramente grave, é que, por intenção ou impreparação, se comece a induzir nos jovens, e nos próprios pais, a ideia de que o livro é coisa estranha, algo do passado mesmo que sob a forma digital.
Arrisco-me a ser mais assertivo, e dizer que quando ainda se sabe tão pouco sobre os efeitos que a perda de hábitos de leitura poderá ter no desenvolvimento da inteligência humana, e que o pouco que cientificamente se vai conhecendo aponta no sentido de que a leitura em suporte electrónico está a produzir alterações tendencialmente nefastas na função cerebral, a abordagem que vem ganhando predominância na comunicação social é perigosamente superficial.
Não sendo um tema novo nem minha preocupação recente, a causa próxima deste alerta resulta de artigo publicado em revista semanal de referência e de grande circulação. No «iCrianças», título do artigo em causa, são sumariadas as tendências para o uso e abuso de equipamentos e brinquedos digitais por parte de jovens, desde as mais tenras idades, e são elencadas algumas boas práticas que os pais devem seguir para orientar e controlar a sua utilização. Quanto a esta componente nada teria a apontar, até pelo alerta que também é feito para os aspectos nocivos da utilização exclusiva e excessiva dos gadgets electrónicos, não fora o total esquecimento a que o livro é vetado quando se fala em formas mais adequadas de ocupação dos tempos livres.
Porém, tudo se torna verdadeiramente problemático quando, por exemplo, o artigo refere, sem crítica, a atitude de pais que para uma criança de 3 anos assumem ser adequado ficar dez minutos a jogar com gadgets electrónicos antes de dormir. Ou, ainda mais perturbadoras, as referências a projectos escolares que defendem a predominância do ensino suportado no apoio digital, mencionando afirmações como: “E as hipóteses são quase infinitas – existem mais de 40.000 aplicações da Apple [!!!] na área do ensino” ou “Não é necessário que a aprendizagem seja 100% digital, mas privilegia-se essa via”.
Por tudo isto, reclamo que no que respeita ao mundo digital e à sua relação com a palavra escrita, a imprensa em particular e os restantes meios de comunicação em geral, estejam bem atentos à sua… iResponsabilidade.
Rui Beja
10/23/2013
Manuel Medeiros
Depois de Ilídio de Matos é com amargura que anunciamos a morte de Manuel Medeiros, fazendo este o mais malogrado outono dos últimos anos.
Manuel Medeiros (1936-2013) morreu esta madrugada, pelas 6h10, na sua cidade de adopção, Setúbal.
O Edição Exclusiva queria deixar a sua homenagem ao Livreiro Velho e deixar o mais profundo voto de pesar a toda à sua família, em particular à Fátima e ao filho Nuno Medeiros, colaborador deste blogue.
Resta-nos agradecer as iniciativas e força de vontade deste homem dos livros que deixa, acima de tudo, um exemplo que devemos seguir e homenagear.
Manuel Medeiros (1936-2013) morreu esta madrugada, pelas 6h10, na sua cidade de adopção, Setúbal.
O Edição Exclusiva queria deixar a sua homenagem ao Livreiro Velho e deixar o mais profundo voto de pesar a toda à sua família, em particular à Fátima e ao filho Nuno Medeiros, colaborador deste blogue.
Resta-nos agradecer as iniciativas e força de vontade deste homem dos livros que deixa, acima de tudo, um exemplo que devemos seguir e homenagear.
10/17/2013
Críticas de sábado à tarde
Fonte: procurei e não encontrei... Quem souber que me indique
No passado fim-de-semana surgiu, em vários facebooks da comunidade ligada aos livros, uma enorme controvérsia causada pelos textos publicados no suplemento Atual, do Expresso, onde, a grosso modo, se fazia a lista dos autores sub- e sobrevalorizados. No entanto, a controvérsia não surgiu tanto em torno das escolhas, mas sim em torno da legitimidade da crítica em tecer tais opiniões.
Argumentava-se a questão da autoridade, referindo-se o facto de alguns críticos serem também escritores, além de acusações de parcialidade ou de fazerem a avaliação para-literária do caráter dos autores.
Controvérsias à parte, vivemos numa fase complicada em termos de mediação. A desvalorização dos críticos, editores, professores, pais, etc., em detrimento da valorização excessiva de meios de popularidade tem levado à perda da opinião com valor, feita por quem sabe mais e melhor do que nós sobre determinado assunto (independentemente de estar correto ou concordarmos com ele). A desvalorização da crítica atual é feita à semelhança da desvalorização de toda a restante mediação, acusando-a da incapacidade de entenderem o que «os leitores» gostam, ou o mercado quer, de ter uma visão que, ao invés de ser vista como mais desenvolvida do que a nossa, é vista como elitista, e tendo objetivos diversos por detrás.
Preconceitos, boatos, acusações de falta de caráter feitos a torto e a direito, abrangendo todos os críticos que tenham a leviandade de criticar. Que os há mais desonestos, provavelmente, como em todo o lado, mas a utilização desse argumentário leva somente à destruição da autoridade de um elo importantíssimo da cadeia do livro: a mediação literária. Quanto mais complexo e indistinto for o campo de ação, quanto mais assente em gostos e opiniões, mais necessária é a opinião esclarecida de forma a fornecer uma série de indícios que nos permitam desenvolver a nossa própria visão crítica da obra.
Que a crítica quase morreu todos sabemos. Que até as faculdades temem fazê-la, também, quanto mais a imprensa, sempre ocupada em cumprir calendários de divulgação de atualidades do comércio livreiro, sujeitos a pressões laborais tremendas e sem espaço e tempo para desenvolver a arte da crítica. Mas apesar de a qualidade não ser a mesma do tempo do João Gaspar Simões, não significa que não devamos respeitar a crítica que ainda existe. Apesar de tudo, não sendo extraordinária, sempre sabe um pouco mais do que a generalidade das pessoas sobre aquele assunto.
Vivemos num tempo onde todos dão opinião e ninguém a ouve. Vivemos num tempo cacofónico onde poucos conseguem reconhecer a qualidade de uma opinião, e onde a popularidade ou a capacidade de expressão para as massas é mais importante na avaliação de uma opinião, do que o conhecimento ou a pertinência. As crianças já não respeitam os professores, por que na Internet dizem outra coisa, e já não respeitam os pais porque nos Morangos com Açúcar eles fazem de outra forma, também já não ligam às opiniões dos bibliotecários porque no Facebook disseram que fixe, fixe, era o autor X, e acusam os pais de parcialidade, de só pensarem neles; os professores de serem preguiçosos e ignorantes, de não perceberem nada de nada, etc.
Independentemente de concordar ou não com o que a crítica diz – existe uma hierarquia de credibilidade e alguma capacidade crítica nossa –, respeito-a e espero que a mesma seja isenta e honesta, mesmo quando feita por alguém que tem outras funções na vida (nomeadamente a escrita), e tento perceber se a opinião de caráter é, para mim, fundamental na apreciação da obra (são diferentes teorias da crítica; a título de exemplo, é totalmente diferente ler Kafka antes e depois das recentes biografias, que o apresentam como um homem satírico, que lia os seus textos aos amigos acompanhados de fortes gargalhadas). Que os escritores e seus seguidores fiquem chateados também é perfeitamente legítimo, mas não o é desrespeitarem a opinião válida só por ela lhes ser contrária. Se não gostam nem concordam, é humano.
Neste mercado em que o escritor virou figura pública, onde a imagem, a juventude, a novidade e a capacidade de intervir são fundamentais, a escrita passou para um plano secundário, e o que conta é a popularidade do autor; logo, a sua capacidade de convencer mais gente a ler a obra.
Contrariamente ao que se julga a popularidade não traz legitimidade que os coloque acima da crítica. E a massa de leitores sabe somente na sua própria mediana medida, assim como o mercado só sabe na medida do retorno dos produtos. Uma avaliação literária não é uma avaliação comercial nem indica ser aquela uma boa aposta de aceitação pela generalidade do público, quanto mais nossa, mas dá indicações se o que o escritor traz é novo, se tem qualidades técnicas, voz própria, se nos faz evoluir em termos humanos. E é importante a crítica dar indícios que permitam diferenciar a qualidade da popularidade. Pessoalmente só tenho de agradecer por, de entre todos aqueles textos, ter havidos alguns que me fizeram pensar.
Nuno Seabra Lopes
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