Blogue coletivo dos principais especialistas do livro em Portugal - o think tank do livro
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2/21/2014
Nubico – O serviço de subscrição de e-books espanhol
Acaba de ser lançada em Espanha uma nova plataforma de subscrição de e-books, a Nubico, acompanhando assim a onda deste tipo de serviços que tem surgido no último ano (a Oyster e a Entitle são alguns exemplos).
A Nubico resulta da aliança entre dois gigantes da edição e das telecomunicações, o Circulo de Lectores (Planeta e Bertelsmann), e a Telefonica, respetivamente. O Circulo de Lectores já tinha o seu próprio serviço de subscrição, a Booquo, em que por € 9,99 por mês, os leitores tinham acesso ilimitado a e-books, bem como a conteúdo extra, contacto com autores, numa experiência de comunidade como um clube do livro, como é, aliás, esperado de um clube do livro.
É cada vez mais significativo o crescimento destas plataformas no mercado editorial e livreiro, embora os e-books na Europa continuem à taxa mais alta (exceto em França e no Luxemburgo que cortaram na taxa à revelia da UE), o que faz com que muitas editoras, especialmente em Portugal, com o IVA a 23%, se mostrem relutantes em entrar na onda. Só os grandes grupos terão capacidade para arriscar. A equiparação dos e-books aos livros impressos é uma discussão em curso e que requer ainda maior reflexão, pois poder-se-á comparar de facto um livro eletrónico, que oferece cada vez mais conteúdos multimédia além do conteúdo literário, a um livro encadernado?
Contudo, não se pode ignorar a expansão das plataformas de subscrição. Demorará muito até que em Portugal comecem a surgir serviços semelhantes? Os portugueses são, sem sombra de dúvida, adeptos das novas tecnologias e, portanto, a possibilidade de tal vir a acontecer a médio prazo suscitará, com certeza, um debate interessante sobre a sua real viabilidade para o nosso mercado.
Catarina Araújo
10/14/2013
Todos os livros por apenas x euros por mês
Num artigo que escrevi sobre o futuro da leitura num mundo digital, mencionei a possibilidade de se poder pagar uma subscrição mensal numa plataforma e assim ter acesso a histórias publicadas por capítulos, a contos e também poesia. Existem pois já vários sítios que permitem fazer essa subscrição mensal, mas de ebooks. Todos os ebooks por x euros por mês.
O primeiro desses sítios é o Oysterbooks. Por apenas $9,95/mês (7,32 € mais ou menos), tem-se acesso ilimitado a cerca de 100 000 títulos, segundo os criadores da plataforma, que por enquanto só está disponível para iPhone e iPod Touch. Ainda está em fase beta e para aceder é preciso convite.
Um sítio que também está em fase beta é o eReatah com diferentes planos disponíveis para quem pretende ter acesso a dois, três ou quatro livros por mês. A diferença em relação ao Oysterbooks é que dá para outros dispositivos eletrónicos, como tablets e computadores, desde que tenham Android ou iOS. O eReatah oferece também um serviço que ajuda o leitor a escolher o livro a ler a seguir, com base nos livros lidos anteriormente e nos seus temas favoritos.
Outro sítio é o Scribd, uma plataforma que já permitia partilhar todo o tipo textos criativos e técnicos e até revistas e que agora também se aventura na subscrição mensal de ebooks. Aqui o preço é ligeiramente mais baixo – $8,99 (6,62 €).
A ideia de se ter acesso a milhares de livros por um valor mensal, como quem paga um serviço de televisão, telefone e internet é bastante apelativa, e o sucesso de uma destas plataformas poderá ser o rastilho para a explosão deste novo tipo de serviço de compra e leitura de ebooks. Em todo o caso, o sucesso destes sítios está dependente de diversos fatores: o crescimento da venda de ebooks, a adesão das editoras, a diversificação do acesso através de outros dispositivos para além dos telemóveis e dos tablets, entre outros.
Perante este novo cenário, nascem também muitas dúvidas. A questão já se colocava com o DRM e agora poderá tornar-se ainda mais significativa, dado que neste serviço o leitor não é proprietário dos livros que subscreve, está apenas a alugá-los (exceto no caso do e-Reatah, segundo os seus criadores). Além disso, que vantagens terão estes novos serviços para os autores? Como lhes serão pagos os direitos de autor? E significará isto o anunciado fim do livro em papel? A ver vamos.
Catarina Araújo
9/02/2013
Plataformas digitais – NetGalley
Às vezes as ideias surgem com o objetivo de preencher lacunas que à partida não se pensava que existiam, mas quando a ideia é executada e implementada chega-se à conclusão de que de facto fazia falta. Não sei se será o caso do site NetGalley, mas é certamente interessante. O site NetGalley consiste numa plataforma para autores e editores onde estes colocam os livros a serem publicados para que leitores profissionais possam ter acesso a eles meses antes de serem lançados e começarem a fazer as primeiras críticas que depois poderão gerar aquele boca-a-boca tão importante. Os livros são disponibilizados em formato digital para diversas plataformas, desde o Kindle ao iPad, ao kobo e ao Android.
O site apresenta já uma quantidade substancial de títulos disponíveis, dos mais variados géneros, desde a literatura à não-ficção, à saúde e à religião. Numa vista de olhos rápida reconhecem-se alguns títulos que já estão a ser alvo de um buzz generalizado, tanto de novos autores, como de autores reconhecidos, sobretudo no chamado Young Adult e Ficção.
Para os leitores com blogues e sites de leitura, é sem dúvida uma oportunidade de ter acesso privilegiado às chamadas ARC’s – Advance Reading Copy’s –, mas em formato digital. Contudo, creio que não será qualquer leitor que poderá ter acesso antecipado a futuros lançamentos – o candidato terá de provar que é um leitor regular, que as suas críticas são coerentes e bem escritas e que o seu blogue/site é muito visitado ou que tem muitos seguidores.
O site está apenas disponível para editoras dos Estados Unidos, do Canadá, do Reino Unido e da Austrália. Penso que não haverá restrições quanto aos leitores desde que leiam e escrevam as críticas em inglês.
Catarina Araújo
7/01/2013
A promoção do livro em tempos de crise
lafoto via Shutterstoc k/Salon
Diz-se que estamos em crise há muito tempo. Mas a crise de 2008 veio agravar esse sentimento que deixou de ser apenas um sentimento para se tornar em algo verdadeiramente palpável, com consequências que antes apenas se temiam e entretanto se tornaram realidade.
É pois uma realidade incontornável. Vendem-se menos livros, as distribuidoras entram em falência, as livrarias fecham, as editoras lutam para se manterem num mercado que nos últimos anos parece ter caído nas redes do capitalismo selvagem. A pirataria e o digital não ajudam. Um sem número de novas aplicações para telemóveis e de novas plataformas proliferam sem que as editoras e as livrarias tenham capacidade para acompanhar esse crescimento e usá-las em seu proveito. A crise também não permite grandes investimentos que visem esse objetivo. Recorre-se aos métodos tradicionais para a promoção e venda de livros. Porém, os leitores dispersam-se pelas tais plataformas, pelas redes sociais, pelas aplicações de telemóvel, tornando-se cada vez mais difícil chegar até eles.
Como se consegue atrair a atenção dos leitores com um orçamento limitado e com a multiplicação de espaços virtuais onde é quase obrigatório estar presente? Como conseguir nesta altura que o lançamento de um livro seja um sucesso e que as vendas se prolonguem para além do primeiro mês? Como ganhar a fidelidade dos leitores mantendo uma linha editorial coesa ao mesmo tempo que se enfrenta uma crise?
Estas são perguntas que não têm resposta fácil. Dependerá da estratégia de cada editor ou do livreiro, da sua capacidade para se adaptar aos diferentes desafios que se colocam e, sobretudo, da sua capacidade de inovar e de vender aquilo que não parece à partida vendável por diversos motivos, à falta de um Best-seller. Gostamos de pensar que os bons livros vendem por si ou pelo menos deviam. Todavia, num mercado dominado e regulado pelos Best-sellers, que não são necessariamente bons, os bons livros correm o risco de passar despercebidos, por preconceito dos próprios editores, dos comerciais, dos livreiros. Entre o estalar da crise em 2008 e o rebentar da grande crise de 2011, o sucesso do livro 2666, de Roberto Bolaño, de mais de mil páginas e com um preço a chegar perto dos trinta euros, parece um fenómeno bizarro, mas aconteceu devido a uma estratégia ousada que gerou um buzz de tal forma intenso junto dos leitores que até levou a que fosse um dos livros mais roubados do ano. A paixão dos editores pelo livro e pelo autor transpareceu e colou-se aos leitores. Isto numa altura em que as redes sociais ainda não tinham tanto impacto junto do público, como tem hoje. Ou como já teve, porque nem a mera presença no Facebook ou no Twitter será já tão eficaz.
Um exemplo mais recente que me parece ser de sucesso é a Divina Comédia Editores, lançada há pouco tempo, com grande circunstância e com bom eco na web e na imprensa em geral. Trata-se de uma editora muito ativa, com grande proximidade, e bastante dinâmica tanto na sua autopromoção, como na divulgação dos seus livros. Ficam ainda por confirmar as repercussões para o futuro.
Transformar constrangimentos em oportunidades, contornando orçamentos mais limitados, passará talvez por uma relação de proximidade, com o aproveitamento ainda das redes sociais, não só do Twitter e do Facebook, mas também do Instagram, do Pinterest, entre outros, de uma forma talvez menos rígida e mais aberta, convidando o leitor a conhecer a editora e a sua equipa e a razão pela qual trabalham aqueles livros. Igualmente, a criação de um clube de leitura ou a marcação de apresentações ajudará a criar uma ligação emocional à editora ou à livraria que leve os leitores a conhecer e a confiar mais na sua promoção. Portanto o maior investimento que se pode fazer, num tempo crítico como aquele que atravessamos, será mais ao nível do marketing humano do que propriamente em grandes campanhas que acabam por ter um efeito efémero.
Não existe com certeza uma fórmula mágica, nem um segredo definitivo para se ser mais bem-sucedido num mundo em constante mudança e com os apertos do momento. A única tecnologia com que podemos contar no final das contas é pois com a criatividade de cada um para fazer muito com pouco.
Catarina Araújo
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5/29/2013
Os editores e a auto-edição
Há uns meses, no seu blogue «Horas Extraordinárias», a editora Maria do Rosário Pedreira questionava-se sobre a auto-edição e o aparente desinteresse de alguns escritores em tentarem publicar a sua obra através de uma editora tradicional capaz de reconhecer ou não a qualidade da sua escrita. No fim concluía que talvez isso acontecesse porque, na auto-edição, recebiam uma percentagem maior das vendas e que, por isso, mais do que o reconhecimento de um editor, preferiam o dinheiro.
No fundo, todos aqueles que gostam de escrever e até aqueles que gostavam de escrever, mas sentem que não têm talento suficiente, sonham em publicar um livro através de uma editora reputada. Contudo, como é natural, esse sonho não está ao alcance de todos, seja porque não tiveram a sorte de encontrar um editor que tomasse a decisão de arriscar neles, seja por, apesar de terem técnica, lhes faltar originalidade, seja porque simplesmente não têm qualquer talento.
A auto-edição digital funciona para essas pessoas como uma espécie de oportunidade de porta de fundo. Não se entra pelo portão da frente, mas entra-se pelas traseiras. Ao menos entra-se, na esperança de obter dos leitores o reconhecimento que lhes foi negado pelos profissionais da área e que essa validação seja suficiente para chamar a atenção de um editor.
É verdade que a auto-edição digital oferece um controlo maior ao autor, na medida em que lhe possibilita ir reeditando as suas obras, alterar o preço e mudar a capa conforme vai necessitando, para atrair a atenção de mais e mais leitores. Mas será que vale a pena? O facto de o autor ser o seu próprio editor, designer, comercial, etc., também tem as suas consequências, retirando-lhe o tempo e a energia de que necessita para continuar a escrever as suas obras.
Não creio de todo que a maior parte destes escritores autopublicados escolha esse caminho por dinheiro, embora acredite que haja quem o faça pela ilusão do lucro. Acredito também que há quem apesar de ter sido abordado por uma editora prefira manter todo o controlo sobre as suas obras, seja por dinheiro, seja por recear que as expectativas da editora não se cumpram e que os seus livros acabem na obscuridade.
No meu caso, como autora com livros publicados por editoras, ao ver-me na situação em que os meus livros já não estavam disponíveis nas prateleiras das livrarias, e não havendo versões em ebook dessas obras, escolhi a via da autopublicação digital para que não desaparecessem, como se nunca tivessem existido. Era quanto a mim trabalho desperdiçado, porque de facto houve ali muito trabalho tanto do autor, como do editor. O desejo de qualquer autor é que as suas obras sejam lidas e não sejam esquecidas.
Seja qual for a motivação individual de cada um, alguns escritores autopublicados rendem-se por fim às evidências e acabam por desistir, outros, convictos do seu talento, persistem e colhem os seus frutos, contentes com a sua situação. Entre esses haverá quem eventualmente sobressaia de tal forma que atrai a atenção dos profissionais dos livros.
Posto isto, assim como de repente apareceram muitos aspirantes a autores, também apareceram muitos novos editores, pelo que poderá haver aqui alguma desconfiança de escritores mais escrupulosos relativamente às condições oferecidas pelo editor, e que os levam a preferir manterem-se na auto-edição. Como em todas as áreas, também na edição há bons e maus editores. Contudo, há de haver sempre quem deseja encontrar, ainda que pela porta das traseiras, o editor profissional perfeito para os seus livros.
Catarina Araújo
5/03/2013
Plataformas digitais para escritores – The Writing Platform
O site The Writing Platform possui recursos vários, desde pequenos textos que dão pistas sobre como criar personagens, a glossários de termos digitais para autores, até guias sobre fóruns de discussão literária. Tem também dicas que podem ajudam o autor a tornar o seu site mais visível através do refinamento da metadata, algo que à partida pode não parecer importante, sobretudo para aqueles que não sabem do que se trata (algo que também é explicado de uma forma simples e prática), mas que no mundo vasto da internet é deveras significativo.
O site ainda está em versão beta, mas pelo seu conteúdo muito pertinente, poderá vir a ser um valioso recurso para todos aqueles escritores e autores que pretendem aprender a mover-se no mundo digital.
Catarina Araújo
4/10/2013
O Livro e a Leitura num Mundo Digital
Numa época em que o digital é parte integrante do dia-a-dia das pessoas, há questões que se colocam quanto ao futuro do livro como livro, dos diferentes géneros e da leitura. Será que daqui a cinquenta anos ainda se lerão romances? Se os livros em formato papel deixarem de existir completamente, como serão escritas e publicadas as histórias do futuro? Continuarão a ser textos longos, com duzentas e trezentas páginas? Fará algum sentido pensar-se em páginas? Ou será que as possibilidades do digital mudarão de maneira irreconhecível a forma como se escreve e se leem histórias? Seria um processo natural. A escrita tem sido influenciada desde o início pelo seu suporte – primeiro a pedra, depois o papiro e o pergaminho, depois o papel e a impressão, e por fim o computador e a internet.
Até a forma como um escritor planeia e escreve as suas histórias poderá ser muito diferente. Um autor do século XVIII e um autor dos meados do século XX encaravam desafios diferentes na sua escrita. A mudança da pena para a caneta para a máquina de escrever e para o computador alterou irrevogavelmente processos de escrita. O acesso a recursos como dicionários, enciclopédias e informação noticiosa também terá tido algum impacto e continuará a ter no futuro. Haverá hoje quem não escreva na totalidade os seus livros diretamente no computador? Certamente que serão muito poucos. Isso terá algum tipo de influência no seu modo de pensar uma história e de contá-la? Será possível comparar notas de escritores do século XVIII com as de escritores do século XXI e verificar a diferença? Estas são questões que abrem um tema de debate com muito por explorar.
E os leitores? No século XXI, não havendo as restrições da impressão em papel, o formato tradicional poderá já não se ajustar a este novo mundo do digital. Em vez de comprar e-books com uma narrativa fechada, típica de um livro físico, o leitor poderá ter a possibilidade de subscrever uma história que pretende seguir, e cujos capítulos são publicados durante um período de tempo até aquela história se concluir, como episódios de uma série semanal. Não seria nada de novo, muitos livros nasceram assim, a partir da publicação de excertos em jornais ou em fascículos. Contudo, talvez faça todo o sentido na exploração das potencialidades destes novos suportes digitais a médio prazo.
Por outro lado, os leitores poderão deixar de se interessar por histórias longas e preferir ler narrativas mais pequenas, com ilustrações no texto, e até sons. As novelas gráficas poderão expandir-se no digital, tal como a poesia e o conto, atraindo mais leitores ao aliar texto, com imagem, com todas as funcionalidades que o digital permite. Em que medida é que isso irá alterar para sempre os géneros que reconhecemos hoje como romance, novela, conto, poesia?
Atualmente verifica-se a proliferação de histórias interativas nas lojas de apps para smartphones e tablets, pelo que esse poderá ser um requisito obrigatório no futuro – a integração do leitor no desenvolvimento do enredo e na sua conclusão, levando a uma experiência única de leitura, diferente para cada um. Isto é válido não só para livros infantis, como para histórias para adultos. Neste tipo de narrativas um escritor tem de se associar a outros escritores e até a outros artistas e técnicos para formarem uma equipa que consiga dar resposta às necessidades que tem um conto interativo, tanto ao nível de conteúdo, como também ao nível de design e multimédia. O que é que isso significa para o escritor?
É possível pois que surjam novos e diferentes géneros à medida que o uso de um suporte digital para leitura se vai tornando corrente e os autores se vão adaptando às tecnologias para criar diferentes métodos de contar histórias ou de divulgar informação. Tudo dependerá da imaginação e da capacidade criativa do autor.
Seja como for, o escritor enfrenta, a médio e longo prazo, grandes desafios no seu trabalho de escrita e na conquista dos novos leitores cujos hábitos de leitura serão seguramente diferentes.
Catarina Araújo
3/18/2013
Plataformas de submissão de originais – o Authonomy.com
«Get read. Get noticed. Get published.»
É assim que a plataforma authonomy.com, criada pela HarperCollins em 2008, chama ao seu sítio todos os aspirantes a autores publicados e não só. Trata-se de uma comunidade online que reúne leitores e escritores num só espaço. A ideia terá surgido como uma forma de dar a oportunidade aos membros da comunidade de avaliarem originais que muito provavelmente passariam despercebidos pelos editores.
Através desta plataforma um escritor tem a possibilidade de disponibilizar os seus livros gratuitamente e de ser avaliado pelos membros registados no site, que podem ser outros escritores da comunidade. Aqueles livros que receberem o maior número de recomendações por parte dos utilizadores vão parar a um top. Ao fim de um tempo predefinido, os cinco originais mais recomendados são lidos internamente por editores da HarperCollins que fazem uma apreciação profissional. A comunidade está aberta a todos, desde que sejam maiores de 18 anos, mas os textos terão de estar escritos na língua inglesa.
Trata-se pois de uma maneira diferente de descobrir novos talentos, aproveitando a tecnologia das redes sociais para permitir aos leitores separarem o trigo do joio entre as obras submetidas para apreciação. Deste modo, quando chega à secretária do editor possui já um primeiro certificado de popularidade entre uma comunidade de leitores que à partida, supõe-se, será mais exigente. A reputação dos próprios utilizadores pode mesmo influenciar a escalada de um original no top dos mais recomendados, dependendo do número de avaliações que faz e da qualidade dos mesmos. Existem ainda os talent spotters, membros da comunidade que detetaram um ou mais originais que entretanto se tornaram populares. Quanto mais recomendações certeiras fizerem, mais sobem no ranking do top talent spotters. A instituição destes diferentes rankings, tanto para escritores, como para os originais, como para os leitores, cria uma dinâmica ainda mais apelativa em toda a atividade da plataforma.
Num site deste género que alia o conceito de comunidade online, à auto edição e à edição tradicional, o escritor terá de fazer um trabalho de divulgação que no meio de um mar de textos, alguns deles incompletos, poderá não ser muito fácil. A pensar nisso, o site oferece dicas sobre como escrever uma sinopse cativante ou como escolher um bom título para o livro. Disponibiliza também ferramentas para o escritor melhorar a sua escrita e aperfeiçoar os seus textos, na secção «Writing Tips».
Todavia, é inevitável um novo utilizador confrontar-se com várias dificuldades para fazer com que o seu trabalho seja visto. Terá de estabelecer contactos para garantir que o maior número de utilizadores possível repare no seu texto e o divulgue entre si, e isso dependerá da habilidade do escritor em cativar os leitores da comunidade. Por outro lado, as respostas, mesmo que poucas, em princípio ajudarão a identificar os pontos fortes e, sobretudo os fracos, do texto submetido. Essa interação permitirá fazer uma revisão mais aprofundada com base num feedback mais ou menos construtivo que dificilmente receberia caso enviasse diretamente o livro a um editor ou a um agente.
Segundo os responsáveis do authonomy.com, há já agentes literários e scouts que visitam o site à procura de novos talentos, pelo que mesmo que um original não chegue ao top da Editor’s Desk da HarperCollins, poderá vir a ser selecionado por outros agentes fora da casa. De acordo com a Wikipédia, à data em que o site foi colocado online depois de alguns meses em versão beta, a plataforma contava já com mais de 24 000 utilizadores registados.
Mais recentemente a HarperCollins criou uma chancela digital, a Authonomy Digital Imprint, exclusivamente para a edição de originais descobertos através da plataforma. Os editores prevêem a possibilidade de alguns dos livros terem uma edição impressa, caso as vendas em versão e-book sejam boas. A plataforma, apesar de geralmente bem recebida, não escapou a alguma controvérsia. A assertividade da frase «Get read. Get noticed. Get published» pode ser enganadora. Tal como acontece nos comentários da Amazon ou do Goodreads, coloca-se em causa a intenção dos utilizadores que recomendam livros na plataforma, neste caso fazendo-o apenas com o objetivo de ver os seus próprios livros igualmente recomendados por quem ajudou a escalar a tabela dos mais populares, num jogo de influências que deturpará todo o objetivo da comunidade.
Talvez por isso há quem desconfie da plataforma e prefira continuar a privilegiar o contacto direto com editores e agentes ou então escolher a via da auto-edição. Não obstante, a comunidade authonomy.com é, sem sombra de dúvida, um passo em frente na adaptação das editoras aos novos tempos em que as redes sociais imperam no mundo virtual da internet.
Catarina Araújo, escritora e assessora de comunicação
10/16/2012
Catarina Araújo
Nasceu em Lisboa, em 1981. Licenciou-se em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa e
frequentou a pós-graduação em Edição de Livros e Novos Suportes Digitais, da Universidade Católica de Lisboa.
Desde cedo dedicou-se à escrita, mas só aos 19 anos decidiu que queria ser escritora e só aos 25 descobriu que na impossibilidade de viver da escrita, haveria de trabalhar na edição de livros. Assim começou a sua jornada – contactar editoras a fim de colaborar numa delas. Finalmente, em 2007, surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a Editora Pergaminho, oportunidade essa que agarrou de imediato. Trabalhou como Coordenadora de Conteúdos durante quatro anos na Editora Pergaminho e no Grupo Bertrand Círculo, após o que desempenhou funções como Assessora de Comunicação nas Livrarias Bertrand.
Entretanto publicou vários livros, desde a área do infantil e do juvenil, ao romance e à poesia. Pratica muitas atividades além da escrita, entre as quais a fotografia e a culinária. Tem sempre muitos projetos em mente. Alguns já cumpriu, outros está a trabalhar para torná-los realidade.
Desde cedo dedicou-se à escrita, mas só aos 19 anos decidiu que queria ser escritora e só aos 25 descobriu que na impossibilidade de viver da escrita, haveria de trabalhar na edição de livros. Assim começou a sua jornada – contactar editoras a fim de colaborar numa delas. Finalmente, em 2007, surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a Editora Pergaminho, oportunidade essa que agarrou de imediato. Trabalhou como Coordenadora de Conteúdos durante quatro anos na Editora Pergaminho e no Grupo Bertrand Círculo, após o que desempenhou funções como Assessora de Comunicação nas Livrarias Bertrand.
Entretanto publicou vários livros, desde a área do infantil e do juvenil, ao romance e à poesia. Pratica muitas atividades além da escrita, entre as quais a fotografia e a culinária. Tem sempre muitos projetos em mente. Alguns já cumpriu, outros está a trabalhar para torná-los realidade.
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