7/05/2013

Inovação


Lobster book, por Robert The

Palavra bonita, sem dúvida, recheada de exemplos interessantes de como a inovação salvou uma empresa, catapultou outra ou mudou um mercado. De facto, a inovação foi e é ainda o euromilhões das empresas, se jogares podes ganhar um prémio incrível mas, a maior parte das vezes, perdes dinheiro.

Não quero com isso condenar a inovação, que é essencial em mercados e produtos em rápida mudança e onde a obsolescência é ponto primordial. Se fizesse telemóveis ou carros sabia que mais importante do que o que hoje vendo é o que tenho amanhã para vender.

E nos livros?

A obsolescência dos livros é complexa de definir. Por um lado, o mercado apoia-se na venda da novidade e dos livros de grande rotação, mas lá porque o livro não vende ou saiu há mais de 6 meses não significa que está obsolescente. Uma nova roupagem, um novo canal e o produto até parece que é novo, aliás, é novo, se o mote não for de atualidade. A inovação no campo editorial também não é relevante, algumas mudanças no tema, um acabamento mais na moda, lacinhos em vez de penas e outras picuinhices que nada significam em termos concretos.

O que é então a inovação no mundo dos livros?

O digital? Claramente o digital irá mudar as regras do jogo, mas só da parte digital do jogo, provavelmente. Será um ramo distinto que irá influenciar as empresas, mas que não irá obrigá-la a modificar por aí além em termos de produto impresso. Ou seja, abre-se um novo campo, com um produto de comportamento distinto e que, para fins deste texto, podemos arrumar numa gaveta autónoma.

Num produto de baixo investimento como o livro impresso, que inovação concreta se pode fazer que não seja extremamente fácil de copiar no dia seguinte? Pior, que inovação tem ocorrido que tenha sido de facto inovadora e tenha mudado o mercado do livro? O livro de bolso, criado há mais de 80 anos?, a categoria da auto-ajuda, com quase 50 anos?

Não sendo um velho do Restelo, acho que o impacto da inovação varia tremendamente de mercado para mercado e para os livros existem coisas mais importantes do que a inovação para se conseguir «ganhar» o leitor. A adequação e a qualidade, por exemplo.

Mas se calhar alguém está a ler este texto e a ter a ideia genial que me fará mudar de opinião rapidamente.

Nuno Seabra Lopes

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